Até Quando?

Até Quando?

sexta-feira, 9 de março de 2012


Questões sobre Expansão Marítima Europeia


1 - (Fuvest-SP) Sobre o Tratado de Tordesilhas, assinado em 7 de junho de 1494, pode-se afirmar que objetivava:
a) demarcar os direitos de exploração dos países ibéricos, tendo como elemento propulsor o desenvolvimento da expansão comercial marítima.
b) estimular a consolidação do reino português, por meio da exploração das especiarias africanas e da formação do exército nacional.
c) impor a reserva de mercado metropolitano, por meio da criação de um sistema de monopólios que atingia todas as riquezas coloniais.
d) reconhecer a transferência do eixo do comércio mundial do Mediterrâneo para o Atlântico, depois das expedições de Vasco da Gama às Índias.
e) reconhecer a hegemonia anglo-francesa sobre a exploração colonial após a destruição da invencível Armada de Filipe II, da Espanha.


2 - A expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI permitiu:
a) A formação de domínios coloniais que dinamizaram o comércio europeu.
b) O crescimento do comércio de especiarias pelas rotas do Mediterrâneo.
c) A implantação de impérios coloniais na Ásia, para extração de metais preciosos.
d) O fortalecimento do feudalismo e da servidão na Europa Ocidental.
e) A colonização do tipo mercantilista, sem a interferência do Estado e da Igreja.


3 - (PUC-MG) O Tratado de Tordesilhas representa:
a) A tomada de posse do Brasil pelos portugueses.
b) O declínio do expansionismo espanhol.
c) O fim da rivalidade hispano-portuguesa na América.
d) O marco inicial no processo da partilha colonial.
e) O início da colonização do Brasil.

4 - (PUC-MG) o fator que contribui para a grande expansão marítima.
a) A estabilidade econômica da Idade Média.
b) A organização das corporações de ofício.
c) O advento das monarquias nacionais.
d) O desenvolvimento do comércio continental europeu.
e) O enriquecimento da nobreza feudal.


5 - Portugal e Espanha foram no século XV as nações modernas da Europa, portanto pioneiras nos grandes descobrimentos marítimos. Identifique as realizações portuguesas e as espanholas, no que diz respeito a esses descobrimentos.

1 - Os espanhóis, navegando para o Ocidente, descobriram, em 1492, as terras do Canadá.
2 - Os portugueses chegaram ao Cabo das Tormentas, na África, em 1488.
3 - Os portugueses completaram o caminho para as índias, navegando para o Oriente, em 1498.
4-A coroa espanhola foi responsável pela primeira circunavegação da Terra iniciada em 1519, por Fernão de Magalhães. Sebastião El Cano chegou de volta à Espanha em 1522.
5 – Os portugueses chegaram às Antilhas em 1492, confundindo o Continente Americano com as Índias.

Estão corretos apenas os itens:
a) 2, 3 e 4;
b) 1, 2 e 3
c) 3, 4 e 5
d) 1, 3 e 4
e) 2, 4 e 5


6 - (UNIMONTES) A respeito da expansão marítimo-comercial dos séculos XV e XVI é incorreto afirmar que:
a)o eixo comercial deslocou-se do Mediterrâneo para o Atlântico.
b)O afluxo de metais preciosos para a Europa provocou uma sensível baixa de preços.
c) concorreu para a acumulação primitiva de capital, preparando o caminho para a Revolução Industrial.
d)a empresa comercial foi dirigida pelo Estado monárquico absolutista.
e) favoreceu a criação de grandes companhias para garantir um comércio mais seguro e lucrativo.

7 - (GABARITO) Todas as alternativas relacionam corretamente os acontecimentos e fenômenos importantes para a formação do Mundo Moderno, EXCETO:
a) Renascimento Comercial e Urbano na Baixa Idade Média / Formação da Burguesia.
b) Expansão Marítima Europeia/ Constituição dos Impérios Coloniais Americanos.
c) Monarquia Absolutista / Participação da Burguesia do poder Político.
d) Mercantilismo / Acumulação de Capital pelas Classes Burguesas.
e) Renascimento Cultural / Elaboração de uma Concepção Individualista.


8 - (Diamantina) O famoso “Testamento de Adão”, ao qual o soberano francês se referia para reivindicar para o seu país a participação no processo expansionista ultramarino europeu, tem origem:
a)na superioridade da marinha francesa, no século dezesseis, sobre a frota naval dos países atlânticos da Europa.
b)na concessão feita, pelo Papa Alexandre VI, de terras na África e na Ásia para a exploração da Espanha.
c) na assinatura do Tratado de Tordesilhas, entre Portugal e Espanha, que “dividia” o mundo entre os países da Península Ibérica.
d) na participação da França, junto aos demais países católicos europeus, na expulsão dos muçulmanos da bacia do Mediterrâneo, na época das Cruzadas.
e) na existência de um pretenso documento que dava às nações da Europa o direito de dominar e explorar as áreas subdesenvolvidas da África e da América.


9 - (PUC - MG) A descoberta da América, em 1492, por Colombo, em nome dos reis espanhóis, constitui um importante fator de superação da crise que atinge a Europa Ocidental nos séculos XIV - XV, pois:
a) absorve o excedente populacional dos países europeus, através da criação de colônias de povoamento.
b) neutraliza os conflitos entre as potencias europeias, concentradas no processo de colonização do novo continente.
c) amplia as reservas de metais preciosos, possibilitando maior circulação de moedas e acumulação de capitais.
d) promove o processo de partilha da África como fornecedora de mão-de-obra escrava, entre as potencias europeias.
e) estimula a produção agrícola na Europa pura atender à demanda da população do novo continente.


10 - Foram inúmeras as consequências da expansão ultramarina dos europeus, gerando uma radical transformação no panorama da história da humanidade.
Sobressai como UMA importante consequência
a) A constituição de impérios coloniais embasados pelo espírito mercantilista.
b) a manutenção do eixo econômico do Mar Mediterrâneo com acesso fácil ao Oceano Atlântico.
c) a dependência do comércio com o Oriente, fornecedor de produtos de luxo como sândalo, porcelanas e pedras preciosas.
d) o pioneirismo de Portugal, explicado pela posição geográfica favorável e) a manutenção dos níveis de afluxo de metais preciosos para a Europa. 


11 - O mar foi, durante muito tempo, o lugar do medo. Diz um ditado holandês do início da Idade Moderna:
“Mais vale estar na charneca com uma velha carroça do que no mar num navio novo.”

Todas as alternativas contem elementos responsáveis pelo medo que o homem do início da Idade Moderna tinha do mar ,EXCETO:
a) Convicção de monstros marinhos e de cidades submersas, responsáveis pelos constantes naufrágios.
b) A firme crença de que o mar fora o caminho pelo qual a Peste Negra chegou à Europa.
c) A proibição, pela Igreja, de incursões no Mar Oceano com base nas palavras de Gênesis.
d) As advertências contidas nas epopeias e nos relatos de viagens dos perigos do Mar Oceano.
e)As invasões dos muçulmanos e berberes na Península Ibérica, possibilitadas pelas viagens marítimas.


12 - O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494:
a) Foi elaborado segundo os mais modernos conhecimentos cartográficos baseados na teoria do geógrafo e astrônomo grego Ptolomeu.
b) Foi respeitado pelos portugueses até o século XVIII, quando novas negociações resultaram no Tratado de Madri.
c) Nasceu de uma atitude inovadora na época: a de resolver problemas políticos entre nações concorrentes pela via diplomática.
d) Resultou da ação dos monarcas espanhóis que resistiam à adoção da Bula Intercoetera, contrária aos seus interesses.
e) Surgiu da necessidade de definir a possessão do território brasileiro disputado por Portugal e Espanha.



13 (UFMG) Leia o texto.
"E aproximava-se o tempo da chegada das notícias de Portugal sobre a vinda das suas caravelas, e esperava-se essa notícia com muito medo e apreensão; e por causa disso não havia transações, nem de um ducado [...] Na feira alemã de Veneza não há muitos negócios. E isto porque os Alemães não querem comprar pelos altos preços correntes, e os mercadores venezianos não querem baixar os preços[...] E na verdade são as trocas tão poucas como se não poderia prever."
Diário dum mercador veneziano, 1508.

O quadro descrito nesse texto pode ser relacionado à
a) comercialização das drogas do sertão e produtos tropicais da colônia do Brasil.
b) distribuição, na Europa, da produção açucareira do Nordeste brasileiro.
c) importação pelos portugueses das especiarias das Índias Orientais.
d) participação dos portugueses no tráfico de escravos da Guiné e de Moçambique.


14 - (PUC-MG- 1998) Há 500 anos (1498), Vasco da Gama chegava às Índias. Essa conquista é significativa porque:
a) eleva Portugal à alta categoria de potência política.
b) liquida o comércio marítimo no Mediterrâneo.
c) abre uma nova rota para o comércio marítimo.
d) inaugura a “era portuguesa” no Oceano Atlântico.
e) populariza o uso das especiarias na Europa.



RESPONDA AS QUESTÕES 15 E 16 BASEANDO-SE NO SEGUINTE TEXTO:

“(...) Assim foi tecida a expansão ibérica na América. Embebida do maravilhoso, eivada de espiritualidade, inflamada pela visão do Éden tropical, sem excluir a cobiça e a ambição que, pelo contrário, foram coloridas pela profusão de criaturas e crenças fantásticas.(...) Fauna exótica e monstros que acabaram associados aos índios, execrados no discurso por sua nudez e antropofagia.”
(VAINFAS, Ronaldo. Utopia e alteridade. Ciência Hoje. v. 18/ nº 101)

15. O tema central desse texto refere-se:
a) aos objetivos da conquista ibérica da América.
b) à fauna exótica das terras americanas.
c) ao caráter religioso da ação colonizadora.
d) ao imaginário europeu diante do Novo Mundo.
e) à ambição desmedida dos ibéricos na colonização.


16. Esse texto leva ainda a concluir que os ibéricos:
a) veem-se como os verdadeiros salvadores do Novo Mundo.
b) procuram compreender o universo cultural dos índios.
c) entendem a América como extensão do Velho Mundo.
d) têm uma visão negativa com relação à América.
e) idealizam o mundo americano como lugar paradisíaco.



17 (PUC –MG) “Os espanhóis descobriram a América”. O conceito “descoberta” expressa:
a) uma visão eurocêntrica que reconhece os valores culturais do outro.
b) a ideia de que os povos indígenas americanos possuíam uma cultura diferente.
c) o encontro de duas sociedades em diferentes estágios de desenvolvimento.
d) a importância que os espanhóis deram às riquezas minerais encontradas.
e)uma visão europeizante que pressupõe a superioridade da civilização europeia.


18 – (PUC – MG) São fatores que contribuíram para o pioneirismo português na época das grandes navegações no século XV, EXCETO:
a) centralização administrativa durante a dinastia de Avis, permitindo a aliança entre monarquia e burguesia.
b) ausência de guerras, ao contrário da Espanha ainda lutando pela expulsão dos mouros da península.
c) adoção do mercantilismo pelo Estado Absolutista conciliando interesses burgueses e fortalecendo o Estado.
d) política portuguesa de cooperação com as potências europeias, neutralizando a disputa colonialista.
e) posição geográfica de Portugal, banhado em toda a costa oeste pelo Oceano Atlântico.


19. (PUC – MG) Em fins da Idade Média, difícil seria imaginar que os mareantes portugueses e espanhóis, nas viagens de exploração pelo mundo, pudessem contribuir para a formação do capitalismo porque, EXCETO:
a) os investimentos nas expedições marítimas eram elevados e de alto risco.
b) a arte de navegação era precária e sofria a influência das interpretações proféticas sobre os oceanos.
c) as informações sobre a existência de outras civilizações eram confusas e fantasiosas.
d) os tripulantes eram supersticiosos transformando qualquer sinal que surgia em maus presságios.
e) os ibéricos vinham sofrendo sucessivas derrotas na luta contra os muçulmanos pela posse da península.


20 (PUC – MG) Os descobrimentos dos Tempos Modernos constituíram-se num desdobramento da Expansão Ultramarina. Nesse contexto, a América era, EXCETO:
a) o filho esperado que permitia aos ibéricos formalizar seus sonhos.
b) propriedade dos reis ibéricos, por direito divino, antes mesmo de ser descoberta.
c) uma oportunidade para os ibéricos transplantarem seus valores culturais.
d) um desafio para os ibéricos transformarem as suas visões imagéticas em realidade.
e) o Paraíso que se identificava com os valores de igualdade e liberdade dos ibéricos.


21. (UNI-BH) Leia o trecho abaixo com atenção:
“Não restavam dúvidas. A viagem de(...) protagonizou a primeira circunavegação de África e o primeiro encontro direto entre o Atlântico e o Índico, revestindo-se, portanto, de importância planetária. Na prática, no terreno, protagonizou antes do mais o primeiro passo na implementação da rede comercial-marítima portuguesa, a que alguns chamam Império, nos mares da Ásia”.
O trecho acima faz parte de importante documento sobre o expansionismo marítimo-comercial do início dos Tempos Modernos, que teve Portugal como o país pioneiro.
O documento refere-se à viagem de
a) Bartolomeu Dias.
b) Pedro Álvares Cabral.
c) Duarte Pacheco Pereira.
d) Vasco da Gama.


22. (UNI-BH) A Expansão Ultramarina comercial e colonial europeia tem relação com os seguintes fatores , EXCETO:
a) Necessidade de obtenção de novos mercados para superar a crise feudal agravada a partir do século XIV.
b) Busca de novas áreas para investimentos de metais preciosos obtidos na exploração de minas do Leste europeu desde o século XI.
c) Centralização e fortalecimento do poder real com o apoio de um atuante grupo mercantil interessado na ampliação das rotas comerciais.
d) Novas técnicas de navegação em alto-mar, a invenção da caravela, a descoberta da pólvora e a utilização da bússola e do astrolábio.


23 –(UFMG ) Leia o texto.
"As águas são muitas e infindas. E em tal maneira [a terra] é grandiosa que, querendo aproveitá-la, tudo dará nela, por causa das águas que tem. Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar. E que não houvesse mais que ter aqui Vossa Alteza esta pousada para a navegação [...], isso bastava. Mas ainda, disposição para nela cumprir-se - e fazer - o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber o acrescentamento da nossa Santa Fé!"
Carta de Pero Vaz de Caminha, 1º de maio de 1500.

Com base nesse trecho da carta de Caminha, o descobrimento do Brasil pode ser relacionado:
a) à procura de produtos para o comércio no Continente Europeu.
b) ao ideal de expansão religiosa do cristianismo.
c) à divisão do cristianismo pela Reforma Religiosa.
e) à procura do caminho marítimo para as Índias.


24 – (FUVEST) “Esta palavra já não pode ter o sentido original. No âmbito de uma História total, significa (e não pode significar outra coisa) a promoção do Ocidente numa época em que a civilização da Europa ultrapassou, de modo decisivo, as civilizações que lhe eram paralelas. No tempo das primeiras Cruzadas, a técnica e a cultura de árabes e chinesas igualavam, e suplantavam até, a técnica e a cultura dos ocidentais. Em 1600 já não era assim.” (Jean Delumeau)
A palavra a que se refere o autor e que designa um importante fenômeno histórico é:
a) Descobrimento.
b) Capitalismo.
c) Renascimento.
d) Iluminismo.
e) Absolutismo.


25 (FUVEST) No processo de expansão mercantil europeu dos séculos XV e XVI, Portugal teve importante papel, chegando a exercer durante algum tempo a supremacia comercial na Europa. Todavia “em meio da aparente prosperidade, a nação empobrecia. Podiam os empreendimentos da coroa ser de vantagem para alguns particulares (...)” (Azevedo, J. L. de, Época de Portugal Econômico, Livraria Clássica Editorial, pág. 180).
Ao analisarmos o processo de expansão mercantil de Portugal concluímos, que:
a) A falta de unidade política e territorial em Portugal determinava a fragilidade econômica interna.
b) A expansão do império acarretava crescentes despesas para o Estado, queda da produtividade agrícola, diminuição da mão-de-obra, falta de investimentos industriais, afetando a economia nacional.
c) A luta para expulsar os muçulmanos do reino português, que durou até o final do século XV, empobreceu a economia nacional, que ficou carente de capitais.
d) A liberdade comercial praticada pelo Estado Português no século XV levou ao escoamento dos lucros para a Espanha, impedindo seu reinvestimento em Portugal..
e) O empreendimento marítimo português revelou-se tímido, permanecendo Veneza como o principal centro redistribuídos dos produtos asiáticos, durante o século XVI


26 - (PUC-MG) Sobre o expansionismo ultramarino europeu, entre os séculos XV–XVII, é correto afirmar que, EXCETO:
a) a tomada de Constantinopla pelos turcos e a seguida conquista de Ceuta pelos portugueses são os marcos iniciais da expansão.
b) os descobrimentos e a colonização das terras do Novo Mundo constituíram-se num desdobramento da expansão comercial.
c) o afluxo de metais preciosos das áreas coloniais, principalmente ouro e prata, contribuiu para a superação da crise econômica europeia.
d) o deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico contribuiu para a ampliação das fronteiras geográficas.
e) a consolidação dos Estados Nacionais e a absolutização dos regimes europeus têm relação também com os efeitos das viagens ultramarinas.



sábado, 24 de setembro de 2011

Mecha de cabelo pode desvendar mistério de imigração humana a partir da Austrália

Atualizado em 23 de setembro, 2011 - 12:03 (Brasília) 15:03 GMT

Crianças aborígenes (Foto: BBC)

Cientistas usaram mecha de cabelo para desvender história de população

Uma mecha de cabelos ajudou uma equipe internacional de pesquisadores a desvendar o genoma de aborígenes australianos e reescrever a história da imigração dos humanos pelo mundo.

O DNA retirado dos cabelos doados por um jovem aborígene a um antropólogo britânico em 1923 demonstrou que aborígenes australianos foram o primeiro grupo a se separar de outros grupos humanos modernos, há cerca de 70 mil anos. E isto desafia a teoria que afirma que houve uma única fase de diáspora, vinda da África.

Enquanto as populações de aborígenes cruzavam a Ásia e a Austrália, o restante dos humanos permaneceu na região do norte da África e no Oriente Médio até 24 mil anos atrás, saindo apenas depois disto para colonizar a Europa e Ásia.

Mas, os aborígenes tinham se estabelecido na Austrália há 25 mil anos e, portanto, estavam há mais tempo no local onde vivem atualmente do que qualquer outra população conhecida.

A pesquisa, publicada na revista Science, também destaca as novas possibilidades de, no futuro, comparar os genomas de vários indivíduos para rastrear a imigração de pequenos grupos.

Diferenças

Restos arqueológicos encontrados na Austrália tiveram a idade calculada em cerca de 50 mil anos, o que determinava a idade máxima dos assentamentos de aborígenes no continente.

Mas a história da jornada deste grupo e sua relação com povos da Ásia e Europa ainda não tinha sido desvendada.

Anteriormente se pensava que os grupos humanos modernos tinham se dispersado em apenas uma onda a partir da África e do Oriente Médio e, devido às distâncias envolvidas, os europeus modernos teriam se separado dos asiáticos e dos australianos em primeiro lugar.

Mas, estas informações do DNA retiradas da mecha de cabelo aborígene mostravam que os australianos iniciaram sua jornada bem antes.

Ao examinar as pequenas diferenças entre o DNA de aborígenes e de outros humanos antigos, os cientistas mostraram que os indígenas australianos ficaram isolados pela primeira vez há 70 mil anos.

François Balloux, do Imperial College de Londres e que participou da pesquisa, descreveu como "uma população se expandiu pela costa devido à fartura de recursos na região. Eles podiam andar quase pelo caminho todo, pois o nível do mar era bem mais baixo". Apenas uma pequena viagem pelo mar era necessária para alcançar a Austrália a partir da Ásia.

Mas, qualquer vestígio arqueológico desta jornada, que durou cerca de 25 mil anos, deve estar perdido no fundo do mar, devido ao aumento do nível das águas.

Parque dos Dinossauros

Técnicas de análise de DNA como as que foram usadas neste estudo poderão ser usadas de forma mais ampla para analisar as imigrações humanas.

A equipe internacional de cientistas agora planeja examinar mais profundamente a imigração dos humanos modernos a partir da África além de tentar descobrir como e quando as Américas foram colonizadas.

Balloux afirmou que está animado com o potencial desta técnica, descrevendo-a como um tipo de ciência que é "quase (como a mostrada no filme) Parque dos Dinossauros".

A pesquisa foi feita a partir de uma mecha de cabelo doada por um jovem aborígene a um antropólogo britânico em 1923.

Os pesquisadores decidiram examinar a mecha de cabelo e não outro tipo de resto por razões legais, já que cabelo não é classificado como tecido humano.

"O mais importante para nós que a pesquisa fosse aceitável de um ponto de vista social e moral", disse François Balloux.

Para surpresa dos cientistas, todos os consultados apoiaram a pesquisa. Balloux afirmou que, no passado, grupos indígenas sempre foram "extremamente sensíveis a respeito das motivações de cientistas ocidentais" neste tipo de pesquisa.

Mas, o último estudo foi publicado com "forte apoio" do Conselho de Terra e Mar de Goldfields, a organização que representa os proprietários tradicionais de partes da Austrália ocidental, aborígenes

domingo, 18 de setembro de 2011

Imperialismo

Benfeitor em Rio Grande, malfeitor no Brasil

Benfeitor em Rio Grande, malfeitor no Brasil

Por Luiz Cláudio Cunha em 05/09/2011 na edição 658


O aziago mês de agosto do ano da graça de 2011 marcou a confluência de duas comemorações contraditórias: os 45 anos do afogamento sob torturas do ex-sargento do Exército Manoel Raimundo Soares e os 100 anos de nascimento do general Golbery do Couto e Silva.

Uma exalta a memória, outra ofende a história – uma ofensa com o beneplácito do silêncio cúmplice da imprensa.

Em 1966, ainda agosto, o cadáver putrefato do sargento veio à tona num dos afluentes do lago Guaíba que banha Porto Alegre, após 152 dias de tortura num quartel do Exército e nas celas do DOPS. Aflorou nas águas barrentas do rio Jacuí com os pés e as mãos amarradas às costas, marca brutal da tortura que estarreceu até o homem que, dois anos antes, iniciara o golpe que impôs a ditadura: “Trata-se de um crime terrível e de aspecto medieval, para cujos autores o Código Penal exige rigorosa punição”, indignou-se o general Olympio Mourão Filho, então ministro do Superior Tribunal Militar (STM).

O “Caso das Mãos Amarradas” ficou ali, boiando no medo viscoso de alguns, constrangendo a inércia de muitos, incomodando a consciência de todos. Apesar dos 20 nomes envolvidos na prisão, tortura e morte de Soares – dez sargentos, três delegados, dois comissários, dois tenentes, um guarda-civil, um major e um tenente-coronel do Exército –, o IPM foi arquivado sem que ninguém fosse denunciado. No último dia 26 de agosto, aniversário de sua morte, o sargento Soares foi lembrado em Porto Alegre com a inauguração de um monumento em um parque às margens do Guaíba de onde seu cadáver emergiu para a história.

A viúva, dona Elizabeth, abriu um processo em 1973 contra a União pedindo indenização por danos morais. Sucessivamente, nos últimos 16 anos de presidência dos democratas Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, a União recorria teimosamente da sentença para defender os assassinos da ditadura. Dona Elizabeth morreu no Rio de Janeiro em 2009, aos 72 anos, com as mãos amarradas pela impunidade e o coração sangrado pela amargura – ainda sem saber o nome dos assassinos do marido, sem ser indenizada pelo Estado que o matou, sem ver a homenagem tardia ao sargento, trucidado aos 30 anos de idade.

O repúdio da terra

No domingo anterior, 21 de agosto, uma cerimônia parecida resgatou a lembrança de outra ilustre figura, morta em 1987: o mentor da ditadura que supliciou e assassinou o sargento, o general Golbery do Couto e Silva, nascido exatamente um século antes em Rio Grande, o porto mais importante do extremo sul do país. O prefeito da cidade, filiado ao PMDB bastardo que nada lembra o MDB velho de guerra que combateu o regime militar, plantou na praça Tamandaré a pedra fundamental de um busto em honra ao filho ilustre, conterrâneo do almirante e patrono da Marinha.

A mais alta autoridade militar no ato da praça era um major da guarnição local, o 6º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha). Nem o comandante, um tenente-coronel, apareceu por lá. Era a terceira tentativa de homenagear Golbery na sua terra natal: as duas anteriores, para dar seu nome a uma rua, foram negadas pelos vereadores. Até que, no Natal de 2009, o projeto do busto foi aprovado na Câmara local com um único voto contrário.

O pequeno diário de 16 páginas da cidade, Agora, nasceu em setembro de 1975, quando Golbery estava no auge de seu poder como chefe do Gabinete Civil do general Ernesto Geisel. O editorial do Agora que defendia a homenagem, sob o título “Dívida de gratidão”, relacionava alguns benefícios que o general trouxe para sua terra: mudou para lá a sede do 5º Distrito Naval, antes baseado em Florianópolis, defendeu a construção do sistema que capta água do canal de São Gonçalo, facilitou a pavimentação de uma avenida e ruas do bairro Cidade Nova. Apesar disso, dois de cada três habitantes da cidade não são nada gratos a Golbery.

Uma pesquisa onlineno site do jornal, perguntando aos leitores se concordavam ou não com a homenagem, mostrava no domingo (4/9) que Golbery é mais detestado (67,55%) pelo envolvimento com a ditadura do que louvado (32,45%) pela mera condição de riograndino. No fim de semana, mais de 900 pessoas já haviam firmado um abaixo-assinado virtual contra o general, a ser entregue ao prefeito de Rio Grande (ver aqui).

Estrutura gongórica

O busto de Golbery na maior praça do interior gaúcho, com 44 mil m², um terminal rodoviário, uma pracinha infantil e um minizoo, vai dividir espaço com figuras ainda mais famosas: as hermas de Napoleão Bonaparte, Guglielmo Marconi, Marquês de Tamandaré e Jesus Cristo e os restos mortais do general Bento Gonçalves, líder da Revolução Farroupilha (1835-1945).

Haverá quem considere justa a homenagem a Golbery como benfeitor de Rio Grande. Mas muitos, muitos mais, têm justa razão para lembrar de Golbery como malfeitor do Brasil.

Basta compulsar sua atribulada ficha militar, com uma sádica inclinação pelo mal, pelo conluio, pela trama, pelo ardil, pela conspiração contra a lei, o direito e a Constituição. Golbery tinha um especial fascínio pela manipulação das pessoas certas para fazer as coisas erradas de uma forma inteligente, um talento na hora certa para fazer a coisa errada, uma habilidade que induzia o bem para o mal e dava a uns e outros a errada e útil convicção de cometer o erro como se acerto fosse.

Um típico circunlóquio, uma perífrase, que lembra bastante a parábola do poeta grego Arquíloco, do século 6 a.C., usada pelo pensador inglês Isaiah Berlin no seu famoso ensaio sobre O porco-espinho e a raposa. Ensinava: “A raposa sabe muitas coisas, mas o porco-espinho sabe uma grande coisa”. Golbery pescou este ensinamento e o cravou na conclusão do segundo capítulo (“Aspectos Geopolíticos do Brasil, 1959”)de seu perifrástico Geopolítica do Brasil, uma seleta de ensaios de sua gongórica estrutura mental, juncada de mapas, esquemas, hemiciclos, geistória, ecúmenos e outras esquisitices.

Os verdadeiros inimigos

Contrariando seu próprio mito, Golbery parecia menos a raposa e mais o porco-espinho. Ele, ao contrário dela, vê o que é essencial e ignora o resto, desprezando a complexidade em torno para concentrar a mira no objetivo central. No mundo bipolar da Guerra Fria do pós-guerra, Golbery enrolou-se cuidadosamente em seu anticomunismo, escolheu o lado e apontou todos os espinhos para a cruzada de salvação que embolou o estamento militar e a elite empresarial numa esfera redonda, pontiaguda e ideologicamente coesa na luta contra o inimigo comum. Como na fábula, e apesar da felpuda astúcia dos inimigos, o porco-espinho de Golbery sempre vence. Como venceu, na maioria das vezes, nas duas espinhadas décadas da ditadura instalada em 1964.

Diferente do tosco sargento afogado no rio Jacuí, o general que emergia no Rio Grande era, desde criança, uma cabeça privilegiada, voraz, ardilosa. Golbery queria saber uma grande coisa, como o sabido porco-espinho, mas também queria saber muitas coisas mais, como a raposa astuta. Com 11 anos era o orador da turma da escola municipal num discurso na capela da igreja da Conceição, em 1922, pedindo a recuperação de Ruy Barbosa, adoentado no Rio. Com 14 anos já tinha lido a maioria dos clássicos da literatura portuguesa. O boletim na escola brilhava com notas 9 e 10 em matemática, português, línguas, ciências.

Com 15 anos ele se formou em ciências e letras no ginásio, exibindo a melhor média da história do colégio: nota 9,3. Aos 16 ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio. Aos 18 o cadete Golbery já era o redator-chefe da Revista da Escola Militar. Em meados de 1929, o precoce conspirador afiava os espinhos no texto principal da revista, intitulado “Antimilitarismo”, avisando:

“Não é caso inédito o fato de batalhões e regimentos e de guarnições de navios de guerra empunharem armas contra o Governo e de mesmo haverem, ao lado dos revolucionários, deposto um chefe de Estado e eleito outro. Os partidários políticos da oposição a um governo não são, propriamente falando, antimilitaristas. Os verdadeiros inimigos das classes armadas são, de fato, os anarquistas e a maior parte dos socialistas”.

Do nazismo à ditadura

Com 19 anos chegou a segundo-tenente e deixou Realengo na crista de sua primeira revolução, a de 1930, como aspirante da primeira turma da nova ordem. Com 33, o capitão Golbery ingressou na War School de Fort Leavenworth, no Kansas, por onde anos antes passaram os generais Eisenhower e Patton, heróis da Segunda Guerra Mundial. No final do ano estava no front italiano da guerra, com a FEB, fazendo o que gosta como oficial de inteligência e informações. O capitão que lutava contra o nazismo, em 1944, mudaria de lado duas décadas depois, como coronel, para implantar a ditadura de 1964.

Os graves desvios de conduta de Golbery, contudo, começaram dez anos antes. Em 1954 redigiu o manifesto de 82 coronéis e tenentes-coronéis que protestavam contra o aumento de 100% do salário mínimo decretado por Getúlio Vargas. A primeira subversão de Golbery acabou derrubando João Goulart do Ministério do Trabalho e o general Ciro do Espírito Santo do então Ministério da Guerra.

Em 1955, nova insubordinação: Golbery escreve o discurso que o coronel Jurandyr de Bizarria Mamede lê no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, líder da oposição militar a Getúlio. É a senha para tentar barrar a posse de Juscelino Kubitscheck, que Golbery espicaça como “indiscutível mentira democrática”. Ganhou espinhosos oito dias de cana por conta do marechal Lott, o ministro da Guerra que abortou o golpe. Em 1961, o teimoso porco-espinho de Golbery reaparece no texto bicudo em que os três ministros militares – ébrios pelo bafo inesperado da renúncia de Jânio Quadros – tentam vetar a posse de João Goulart, detonando a resistência popular em torno do governador Leonel Brizola e a vitoriosa “Campanha da Legalidade”, que festejou meio século agora em agosto.

O pai do monstro

A raposa de Brizola, daquela vez, venceu o ouriço de Golbery. O troco viria três anos depois. Em menos de 90 dias, Golbery já aprontava de novo, assumindo no final de 1961 a conspiração científica do golpe em andamento, pilotando o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, o notório IPES, que coordenava empresários, jornalistas, políticos, sindicalistas, agitadores, marqueteiros e militares a partir de 13 salas do 27º andar do edifício Avenida Central, no centro do Rio de Janeiro. No início de 1963, o aparelho subversivo de Golbery já mobilizava 320 dos maiores empresários, de famílias tradicionais do país a poderosas corporações estrangeiras. Era um cartel golpista das 278 maiores empresas do país, que cortavam no ato a publicidade de qualquer jornal, revista, rádio ou TV que desse apoio ao governo Goulart. O porco-espinho, afinal, sempre vence.

Dali, afundado cada vez mais na senda da ilegalidade, Golbery operava o grampo de três mil telefones só na capital fluminense. Com a vitória do golpe, em 1964, Golbery criou e assumiu o Serviço Nacional de Informações (SNI), montado a partir da grampolândia inaugurada por ele no IPES. “O SNI era uma aberração do Estado”, definiu o jornalista Lucas Figueiredo, autor de Ministério do Silêncio, um brilhante histórico do serviço secreto no Brasil, desde Washington Luís (1927) até Lula (2005). Seis meses após a posse de Costa e Silva como o segundo general da ditadura, o diretor do combativo Correio da Manhã, Edmundo Moniz, profetizava em editorial de fins de 1967:

“O SNI ainda não se transformou numa Gestapo ou na KGB dos tempos de Hitler e Stálin. Mas começa a engatinhar e mostrar os dentes. Dentro em breve poderá firmar-se em suas quatro patas. É um filhote de monstro!”.

O SNI gestado e encorpado por Golbery agia dentro, fora e acima do governo, imune a controles externos do Judiciário e do Congresso. Fazia e acontecia, consagrando o Estado da delação e infiltrando o Big Brother do regime em todas as instâncias dos governos, das cidades do interior às capitais, das estatais à Esplanada dos Ministérios. Dois meses após deixar o governo do general João Figueiredo, no rastro do frustrado atentado terrorista do Riocentro, em meados de 1981, Golbery ecoava o que o jornalista prenunciara 14 anos antes: “Criei um monstro!”. O general, enfim, já não conseguia controlar os espinhos de seu porco de estimação.

A ditadura, sempre

O melhor prontuário do general que saiu de Rio Grande para desestabilizar a democracia brasileira, já em 1954, e arquivá-la por duas décadas, a partir de 1964, está na magistral tetralogia do jornalista Elio Gaspari sobre as Ilusões Armadas, publicada entre 2002 e 2004. Ali, o “feiticeiro” Golbery divide o palco, a cena, os bastidores, o enredo, a trama, os aliados, os inimigos e o poder com o “sacerdote” Ernesto Geisel, seu companheiro de conspiração e trincheira de luta militar e política, do início dos anos 1950 ao final da década de 1970. Os quatro volumes estão ancorados em 25 caixas do arquivo pessoal de Golbery, com cerca de cinco mil documentos, em 220 horas de conversas gravadas com Geisel e seu staff e no arquivo privado e no diário pessoal do capitão Heitor Ferreira, sucessivamente secretário particular de Golbery (1964-67) e de Geisel (1971-79).

Com base nesses papéis e depoimentos, é possível perceber na obra de Gaspari o ecúmeno do pensamento golberyano, pela via oscilante da “sístole” e da “diástole” política que, em rodízio, explicariam os momentos de contração (centralização autoritária) ou dilatação (descentralização democrática) de nossa história, a partir da cardíaca imagem de Golbery. O comprometimento do general nesse processo espinhoso fica mais bem definido pelo título comum que atravessa os quatro volumes da obra – A Ditadura –, redefinida pelas circunstâncias históricas de cada período, de Castelo Branco a Geisel: Envergonhada, Escancarada, Derrotada eEncurralada.

São ditaduras diferentes, mas sempre ditadura. Sem perífrase.

É disso que se trata: Golbery do Couto e Silva, com seu engenho e arte voltados para o mal, pensando, agindo, criando, fazendo e acontecendo para desfazer o Estado democrático e impor o seu modelo autoritário, afinado com sua “doutrina de segurança nacional”, imune à suposta contaminação ideológica que o regime liberal, mais do que permitia, induziria.

A derradeira afronta

Era o general e seus comparsas agindo com a máquina do Estado, todo poderoso, contra o cidadão, todo intimidado. Em alguns momentos, Golbery esteve mais distante do centro do poder militarizado, não porque divergia dele, mas por mera medição de força ou simples cálculo político.

Golbery não afrontava o “Sistema”. Golbery era o próprio “Sistema”, pensado e criado para sobreviver às suas peculiares sístoles e diástoles. Sempre preservando o Estado, mesmo que à custa do cidadão, do eleitor – do povo, enfim, de quem toda ditadura prescinde.

Quando Golbery rompeu com Figueiredo e saiu do governo, em 1981, não era por súbita devoção democrática. Era por aversão absoluta àquele que queria ser o sexto general-presidente do regime, Octávio Medeiros, então chefe do renegado SNI. A alternativa presidencial de Golbery, como se sabe, define bem o caráter do general: era Paulo Maluf, o nome civil que a ditadura embalava para lhe dar uma sobrevida no Colégio Eleitoral. O sonho de Golbery foi atropelado pela vitória do adversário Tancredo Neves e virou pesadelo com a posse inesperada do ex-aliado José Sarney.

A confirmação do busto do general em Rio Grande não seria só um novo espinho, cutucando a memória, machucando a consciência.

A intempestiva irrupção de Golbery na praça do povo poderia ser a última afronta do general contra a história do povo que ele sempre combateu, tolheu, bisbilhotou e desrespeitou por atos, fatos e manifestos.

Será que o porco-espinho vai vencer, pela última vez?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Já foi assim...

Tratados de Limites


Tratados Antigos
Bula "Inter Coetera" do Papa Alexandre VI -1493. Concedeu à Espanha as terras descobertas ou que se descobrissem a partir de um meridiano distante 100 (Cem) léguas a Ocidente de qualquer das ilhas de Açores e Cabo Verde.
Tratado de Tordesilhas - 1494. Anulando a Bula Alexandrina, estabeleceu a divisão do globo terrestre em dois hemisférios por um meridiano localizado 370 (Trezentos e Setenta) léguas a Oeste das ilhas de Cabo Verde. (A localização correta das Linhas de Tordesilhas revelou-se impraticavel, na época, pela impossibilidade da determinação de longitudes, o que só foi possível cerca de dois séculos após).
Convenção de Saragoça - 1529. Escritura da venda feita pelo Rei da Espanha ao de Portugal da região onde se encontravam as ilhas Molucas. (Estabelecido também na base de um meridiano localizado à Leste dessas ilhas, passando pelas ilhas denominadas "las Velas e de Santo Thome").
Primeiro Tratado de Utrecht - 1713. Firmado entre Portugal e a França para estabelecer os limites entre os dois paises na costa norte do Brasil. Estas disposições serviram, quase dois séculos após, para defender a posição brasileira na questão do Amapa.
Segundo Tratado de Utrecht - 1715. Firmado entre Portugal e a Espanha, restabelecendo a posse da Colônia de Sacramento para Portugal.
Tratado de Madri - 1750. Também entre Portugal e a Espanha, esbabeleceu os limites entre as colônias dos dois, na America do Sul, respeitando a ocupação realmente exercida nos territórios e abandonando inteiramente a "linha de Tordesilhas". (A Colônia de Sacramento passaría para o domínio da Espanha). Com esse Tratado o Brasil ganhou já um perfil próximo ao de que dispõe hoje.
Tratado do Pardo - 1761. Tornou nulas todas as disposições e feitos, decorrentes do Tratado de Madri.
Tratado de Santo Ildefonso - 1777. Ainda entre Portugal e Espanha. Seguiu em linhas gerais os limites estabelecidos pelo Tratado de Madri, embora com prejuizo para Portugal no extremo sul do Brasil.
Convenção (ou Paz) de Badajoz - 1801. Estabelece as condições de paz na Península Ibérica (sem fazer menção aos limites das colônias de Portugal e da Espanha na América do Sul). Com isto tornou nulas, na prática, todas as disposições a respeito - entre estes dois países -, permitindo a expansão da ocupação gaúcha até o rio Uruguai.